sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

IMORTAL (Suzana Galvão)

No cemitério da minha história
erguem-se sepulturas saudosas
vermes estão presentes
na decomposição do meu disfarce
a luta
na busca original
da minha essêcia
não é fácil
a terrsa cobre-me agora
protegendo-me do frio
a mortalha dos meus dias
foi costurada por mãos espertas
a dominar meus atos
tendo ciência da brevidade da vida
desejei reviver
em meus poemas,
nas fotografias dos meus versos
e no mural
cheio de películas finas
tudo
para não morrer
jamais

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Lembranças

(Rodrigo Sena)

Lembro do velho com o cachorro, do homem na bicicleta, da senhora com o vestido rosa e de me fazer de covarde para ser gentil com você.
Lembro-me de achar que já te conhecia no dia em que conheci você. Lembro quando choramos abraçadinhos, que só de lembrar da vontade de chorar.
Depois da partida a saudade é o que fica nos matando um pouquinho a cada dia.
Lembro do medo que tive de ficar só, do cigarro que você jogou pela metade, para que não pudesse vê-la fumando. Lembro dos milhares de poemas que fiz e não li pra você.
Acho que você nunca gostou de mim o quanto eu gostei de você, mas não faz mal, pois seu pouco foi meu único sonho realizado.
Lembro bem, e como não gostaria de lembrar do dia em que você morreu, de sair correndo e chorando como louco, da areia que cobria seu corpo e de como eu não consegui mais dormir.
Passei a rezar depois disso, toda noite quando deito, se me esforçar bem, acredito que sinto seu cheiro e que o amor que você me deu já foi o bastante para que eu pudesse fazer da minha vida, lembranças.
 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

DESIGNIOS DE DEUS

Quando o AMOR desabrocha
A alma fica agitada
As vibrações lembram as tochas
Nas florestas encantadas

No rosto lhe surge um véu
Cobrindo o olhar profundo,
Cintilando como um céu,
Iluminando seu mundo.

Sonally desabrochou
Na manhã de certo dia
Mas esse dia findou
Todo envolto em nostalgia.

E tudo foi como um sonho
Que ela jamais sonhou
Pois foi um susto tamanho
Que no coração plantou

Sonally, a sua dor
Não chegou nem a nascer
Pairou por alguns minutos
Para depois fenecer

Quem sabe um dia ele volte
No seu ventre e você,
Vai sentir o aconchego
de em seu seio beber

O néctar do amor sonhado
Que no hoje ainda dói
mas Jesus, com seu carinho,
Num novo colo, constrói.