terça-feira, 19 de abril de 2011

O Pecador

                                                 (Rodrigo Sena)

Sou o pecador que se apaixonou por você, sou pedreiro e pescador,
e rezo todo dia na capelinha perto de casa, agradeço a Deus por me dar o que comer,
e humildemente peço por você. Aproveito cada minuto do seu lado
e fico todo embaraçado quando você pega em minha mão, mesmo que seja apenas como amigo em hora de oração.
 Sou só mais um pecador, que tem a dor daqueles que não tem a mulher amada,
 que sonha acordado em casa, em andar com você de mãos dadas.
Sou seu jardineiro e zelador, tenho as mãos calejadas, a pele estragada e a fisionomia cansada,
tenho vergonha da minha cor, mas pra mim isso também não é nada.
Nas procissões vou de joelhos pela estrada, pagando adiantado qualquer promessa,
pra que Deus não se esqueça de olhar pra mim aqui em baixo, eu devo perturbá-lo em seu descanso,
 mas dizem que Deus não dorme e eu também estou sempre acordado.
Sou seu faxineiro e tocador, eu sou o amor que você não sente por mim,
eu sou rezador, sou aquele que presta atenção a cada besteira que você fala e que não falo nada,
sou aquele que passa toda à tarde em frente a sua casa, só pra te ver sentada na sala,
eu sem você não sou nada.  

O Palhaço do Amor

( Música- Rodrigo Sena)


Sou um artista desarticulado,
sem idéias, dinheiro e sapatos,
conjugue e, conjugado no passado.

Sou o palhaço do amor e do sofrimento,
caio no esquecimento daquelas que tive,
pois faço o papel de detetive ciumento.

Gargalhadas e folias,
como é bom vê-la sorrir,
como dormir sem mentir pra mim que a tenho?
Nada mais sou além de saudade, amor e sofrimento.

DESTINO

Amanha talvez eu possa acordar
E ver em você uma pessoa estranha
Mas, de uma beleza tamanha
 Que ira confundir ate o meu despertar
Porque hoje eu sei
Que o tempo que sonhei
 Foram momentos que se resumiam
Entre esperanças e decepções
 De amores e paixões
Que me levaram ate o teu esconderijo
Meu corpo foi exposto ao perigo
Meu espírito esteve tão aflito
Que eu o via se contorcendo no chão
 Sufocado pela ilusão
Que eu alimentava em querer te encontrar
 De tanto pensar na morte
 Eu quase fiquei louco
Fiz de tudo um pouco
E quando meus olhos procuravam os teus
Eu pude perceber que eles me condenavam
E eu como réu sem defesa
 Apertei meu peito em desespero
Enchendo meu coração de culpa Condenando meu próprio ser.
De uma historia que eu quis esquecer
Mas o meu presente de tão vazio que é
Não me deixou escolha Se não viver do passado
Onde você e eu sorríamos ... fingindo que éramos felizes..
(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Com Sentidos

         Com sentidos                                                                      
    (EdileneBandeira Cavalcanti)

Quero escrever um poema com a visão que
Globaliza,
Neutraliza,
Analisa,
Internaliza todos os meus sentimentos.
Com a audição que
Socializa,
Harmoniza,
Sintetiza,
Concretiza o meu mais profundo silêncio.
Com o tato que
Avisa,
Traumatiza,
Realiza todas as sensações que ousar sentir.
Com o olfato que
Aromatiza,
Sistematiza,
Singulariza,
Civiliza até o que não sinto.
                                                                     Com o paladar que
                                                                    Sensibiliza,
                                                                    Saturaliza,
                                                                    Organiza,
                                                                  Finaliza o poema que não
                                                                  comecei a escrever:
                                                                  Então, desisto de fazê-lo porque com palavras simplesmente o tornaria
                                                                   Sem sentido.